Doula

Doula, nunca tinha ouvido falar até 2016.

Queria eu ter tido conhecimento da existência das doulas enquanto estive grávida. E se por acaso ouvi algum dia falar, não me recordo.

Mas o Universo é sábio. Tudo tem um momento certo! E o que importa é que hoje não só sei o que é, como sou também uma Doula. Que orgulho que sinto em ter o privilégio de poder ser uma Doula.

E o que é uma Doula?

Doula é alguém que conhece e compreende a fisiologia do parto, que informa a gestante/casal de modo a poderem fazer escolhas conscientes, dá apoio emocional durante a gravidez, parto e pós-parto, é alguém que tenta assegurar as necessidades básicas da gestante em trabalho de parto, é alguém que dá apoio, escuta, incentiva e cuida, está ali....

No pós-parto dá apoio emocional, havendo uma menor probabilidade de depressão pós-parto, apoio na amamentação e apoia na adaptação do dia-a-dia.

Escolhi fazer a formação porque achei que me iria ajudar a lidar com a perda gestacional pela qual passei e porque achei que estava na altura de desmistificar a gravidez e o parto, dos quais sempre tive tanto medo. Optei por ir em direcção à ferida.

Doeu, mas tive a oportunidade de cuidar dela, com muito carinho, respeito, trabalhando a aceitação por ter aquelas feridas.

São opções que fazemos, escolhemos tapar as nossas feridas e medos ou escolhemos enfrentar e mexer para poder cuidar e curar. Dói é verdade, e dói muito, mas a libertação e o alivio compensa muito mais.

Hoje sou outra mulher, não só porque tirei o curso, mas porque amo e respeito a minha história tal como ela é. E muito grata por ter percebido durante todas as aprendizagens, que realmente podemos mudar o rumo da nossa história. Não conseguimos ir atrás alterar para a história que queríamos, mas podemos olhar para o futuro de maneiras diferentes.

Escrever histórias mais bonitas na nossa vida!

É por isso que hoje sou outra mulher, alguém que se respeita, respeita o seu feminino, alguém que fez as pazes com o seu poder, poder interno, poder do sagrado feminino.

Alguém que quer inspirar outras mulheres a respeitarem o seu corpo, o seu tempo, a se libertar e curar as feridas, a recuperar o seu poder!

Alguém que hoje sabe que somos feitos de memórias, memórias estas que são passadas de geração em geração, na concepção, no ventre materno, no parto e nos primeiros anos e vida. Mas que também sabe que podemos limpar essas memórias, libertando o que não é nosso! E voltando à nossa essência, recuperando o nosso poder e com isso também contribuímos para que nas próximas gerações já não se repita. Que ao trabalharmos as nossas feridas já não as passamos para os nosso filhos!

Se optarmos por uma gravidez e parto acompanhado, consciente e humanizado que os nossos filhos não só terão menos memórias dolorosas, menos traumas e bloqueios, como serão mais saudáveis!

E é por isto tudo que hoje sou Doula!

Não só doula de outras mulheres/gestantes mas doula de mim mesma!

Amem-se, perdoem-se e sejam felizes!

Tânia Costa  


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